SCEAM: Apelo a um desenvolvimento centralizado nas pessoas e a uma justiça reparadora nos compromissos entre a UA e a UE
COMUNICADO DE IMPRENSA DA SCEAM SOBRE A 7.a CIMEIRA UA-UE EM LUANDA
Luanda, Angola, 20 de novembro de 2025
- Introdução: Por que a voz da Igreja é importante
À meditação que a Cimeira UA-UE se reúne em Luanda, a Igreja Católica em África, representada pelo Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SCEAM), dirige-se a todas as pessoas de boa vontade com uma mensagem de preocupação, verdade e esperança. Falamos como uma Igreja professora enraizada na vida cotidiana do povo africano, partilhando as suas alegrias e esperanças, bem como as suas dores e ansiedades, particularmente dos povos e amigos (cf. Gaudium et Spes, n. 1). A nossa responsabilidade moral é informada pelas experiências vividas em todo o continente, através das nossas escolas, universidades, clínicas, paróquias e comunidades.
- O significado do ano 2025
O ano de 2025 tem um significado particular, uma vez que a União Africana o declarou o Ano da «Justiça para os Africanos e Pessoas de Ascendência Africana» e ir lançar a Década das Reparações (2026-2036). O Ano Jubilar da Igreja Católica pela verdade, à renovação e à justiça reparadora. Na sequência em Belém, onde as vozes das Igrejas do Sul Global sublinaram a necessidade urgente de justiça ecológica, financiamento climático e recurso pelas comunidades indígenas e locais, a Cimeira UA-UE deve não só negociar, mas tambem ouvir, registrar e abrir injustiças de longa data.
- Preocupações com a participação resrita da sociedade civil
A SCEAM é obrigada a instalar as reservas implícitas às organizações da sociedade civil no processo oficial da Cimeira. Números organizações da sociedade civil africana, incluindo aquelas apostas a autofinanciar a sua participação, foram exclusivas. Iso inclui organizações religiosas com uma presença de longa data no território, redes humanitárias e de justiça ligadas à Igreja, associações de mulheres e jovens, organizações de agricultores e indústrias, movimentos de desenvolvimento local e órgãos de construção da paz e conciliação. Esta exclusão levanta uma questão moral crítica: como pode uma cimeira focada no futuro de África excluir aqueles que apoiam diariamente as comunidades africanas?
- A Cimeira Paralela dos Povos em Luanda
Em resposta à incapacidade da Cimeira oficial de comodar a sociedade civil africana, foi organizada uma Cimeira Paralela dos Povos na Universidade Católica de Angola, em Luanda, nos dias 19 e 20 de novembro. Esta não é um ato de rebelião; é uma resposta necessária à insuficiência de canais participativos, à falta de transparência, aos processos tecnológicos de cidade para baixo e ao desequilíbrio de poder entre instituições e comunidades.
- Responsabilidade histórica e o recurso à justiça reparadora
A Igreja em África espera que a Cimeira UA-UE demonstre honestidade em relação à história e um compromisso genuino com as reparações, reconhecendo o impacto contínuo do comércio transatlântico de ecravos, da escrita, do colonialismo, do neocolonialismo, da dominação econômica e da extração de recursos como questões de fato histórico e responsabilidade moral. Estamos profundamente preocupados com o fato de a União Europeia não ter se comprometido totalmente com a justiça reparadora para os africanos e pessoas de ascensão africana, apesar de membros importantes terem beneficiado do tráfico transatlântico de escritos e da colonização. O legado desta exploração persiste hoje num sistema comercial injusto e no trauma transgeracional sobrido pelos africanos e pessoas de ascensão africana.
- Desenvolvimento centralizado nas pessoas
Guiada pelo princípio da doutrina social da Igreja da primazia da pessoa humana sobre os sistemas, a SCEAM defende um modelo de desenvolvimento centrado nas pessoas. A declaração conjunta da SCEAM-COMECE-Caritas-CIDSE alerta que muitas iniciativas da UA-UE correm o risco de perpetuar almofadas extrativistas; o desenvolvimento deve servir as comunidades, não os interesses geopolíticos. A justiça reparadora é essencial, abrindo tanto a igualdade estrutural como a cura restaurativa.
- Justiça econômica, da dívida e ecológica
A justiça econômica e da dívida são cruciais, uma vez que o peso da dívida africana — enraizado na injustiça histórica — requer uma reforma série por uma questão de justiça, não de piedade. Na sequência da COP30 em Belém, a responsabilidade ecológica deve ser defendida, reconhecendo que a justiça ecológica não pode ser separada da justiça social. As flores, as fontes de água, os recursos mineiros, os pontos críticos de biodiversidade e as comunidades vulneráveis de África nunca mais devem ser sacrificados em nome do lucro, da geopolítica ou de interesses externos. O assunto pela sobrania africana e pela sobrania do seu povo é vital; a sobriania africana pertence não só aos governos, mas também aos seus cidadãos.
- Conclusão: Rumo a uma parceria renovada entre a UA e a UE
A Igreja em África espera uma parceria renovada e renovada entre a UA e a UE. No entanto, isso requer inclusão em vez de exclusividade e transparência em vez de opacidade. Uma parceria que ouve as pessoas perdurará; uma cimeira verdadeiramente incluída promovê a confiança e um diário enraizado na justiça terá o poder de curar crianças históricas. A Igreja em África está pronta para acompanhar África e a Europa rumo a um futuro de justiça, paz e dignidade humana.
Contato:
Rev. Pe. Uchechukwu Obodoechina
Diretor da Comissão Justiça, Paz e Desenvolvimento do SCEAM
secamjpdcdirector@gmail.com
Tel. +233 55 733 7871
Rev. Pe. Louison Emerick Bissila Mbila, C.S.S.S.
Oficina de Ligação do SCEAM na União Africana
secamauliaisonoffice@gmail.com
Tel.: +251 900 485 018
Faça o download deste comunicado abaixo:
INGLÊS: DECLARAÇÃO DE IMPRENSA SECAM – 20 NOV 2025
FRANÇAIS: COMUNIQUE DE IMPRENSA DU SCEAM SUR LE 7e SOMMET UA
PORTUGUÊS: COMUNICADO DE IMPRENSA DA SECAM


