Papa pede respeito pelos migrantes em meio ao número crescente de mortes no mar
Papa pede respeito pelos migrantes em meio ao número crescente de mortes no mar
Serviço Católico de Notícias (CNS) || Por Junno Arocho Esteves || 23 de julho de 2018
Com o aumento do número de mortos de migrantes e refugiados tentando a viagem traiçoeira através do Mar Mediterrâneo, o Papa Francisco instou os líderes mundiais a agirem para evitar mais tragédias.
"Eu faço um apelo sincero à comunidade internacional para que aja decisiva e prontamente, a fim de evitar que tais tragédias se repitam e para garantir a segurança, o respeito pelos direitos e dignidade de todos", disse o papa no dia 22 de julho após recitar a oração Angelus com uma estimativa de 25.000 pessoas reunidas na Praça de São Pedro.
Segundo o Projeto Migrante Desaparecido da Organização Internacional para a Migração, estima-se que 1.490 migrantes morreram no Mar Mediterrâneo este ano. O papa expressou sua dor "no meio de tais tragédias" e ofereceu suas orações "para os desaparecidos e suas famílias".
Na Itália, o Ministro do Interior, Matteo Salvini, proibiu vários navios de salvamento de atracar e prometeu parar quaisquer barcos estrangeiros que transportassem migrantes resgatados para o país. O movimento tem dificultado os esforços de resgate de migrantes tentando escapar à guerra, violência, perseguição e pobreza.
Antes de fazer seu apelo, o papa refletiu na leitura do Evangelho do dia em que Jesus convida seus discípulos a descansar após sua primeira missão, mas o encontro de uma grande multidão os impede de relaxar e comer.
"O mesmo pode acontecer hoje também", disse o papa. "Às vezes não conseguimos realizar nossos planos porque ocorre algo urgente que confunde nossos planos e requer flexibilidade e disponibilidade para as necessidades dos outros."
Nessas situações, ele continuou, os cristãos são chamados a imitar Jesus que não estava chateado, mas sim compassivo para com o povo porque "eles eram como ovelhas sem pastor".
"O olhar de Jesus não é um olhar neutro ou, pior, frio e distante, porque Jesus olha sempre com os olhos do coração. E seu coração é tão terno e cheio de compaixão que ele é capaz de ver até mesmo as necessidades mais ocultas das pessoas", disse o papa.
A mesma compaixão, acrescentou, é o "comportamento e predisposição de Deus para com a humanidade e sua história".
"Com Jesus ao nosso lado, podemos avançar com segurança, podemos ser vencidos por provações, podemos progredir em amor a Deus e ao próximo. Jesus se fez um dom para os outros, tornando-se modelo de amor e serviço para cada um de nós", disse o Papa Francisco.


