Papa pede respeito pelos migrantes em meio ao número crescente de mortes no mar

Padre Dom Bosco Onyalla · 24 de julho de 2018 · 3 minutos de leitura

Papa pede respeito pelos migrantes em meio ao número crescente de mortes no mar

Serviço Católico de Notícias (CNS) || Por Junno Arocho Esteves || 23 de julho de 2018

Com o aumento do número de mortos de migrantes e refugiados tentando a viagem traiçoeira através do Mar Mediterrâneo, o Papa Francisco instou os líderes mundiais a agirem para evitar mais tragédias.

"Eu faço um apelo sincero à comunidade internacional para que aja decisiva e prontamente, a fim de evitar que tais tragédias se repitam e para garantir a segurança, o respeito pelos direitos e dignidade de todos", disse o papa no dia 22 de julho após recitar a oração Angelus com uma estimativa de 25.000 pessoas reunidas na Praça de São Pedro.

Segundo o Projeto Migrante Desaparecido da Organização Internacional para a Migração, estima-se que 1.490 migrantes morreram no Mar Mediterrâneo este ano. O papa expressou sua dor "no meio de tais tragédias" e ofereceu suas orações "para os desaparecidos e suas famílias".

Na Itália, o Ministro do Interior, Matteo Salvini, proibiu vários navios de salvamento de atracar e prometeu parar quaisquer barcos estrangeiros que transportassem migrantes resgatados para o país. O movimento tem dificultado os esforços de resgate de migrantes tentando escapar à guerra, violência, perseguição e pobreza.

Antes de fazer seu apelo, o papa refletiu na leitura do Evangelho do dia em que Jesus convida seus discípulos a descansar após sua primeira missão, mas o encontro de uma grande multidão os impede de relaxar e comer.

"O mesmo pode acontecer hoje também", disse o papa. "Às vezes não conseguimos realizar nossos planos porque ocorre algo urgente que confunde nossos planos e requer flexibilidade e disponibilidade para as necessidades dos outros."

Nessas situações, ele continuou, os cristãos são chamados a imitar Jesus que não estava chateado, mas sim compassivo para com o povo porque "eles eram como ovelhas sem pastor".

"O olhar de Jesus não é um olhar neutro ou, pior, frio e distante, porque Jesus olha sempre com os olhos do coração. E seu coração é tão terno e cheio de compaixão que ele é capaz de ver até mesmo as necessidades mais ocultas das pessoas", disse o papa.

A mesma compaixão, acrescentou, é o "comportamento e predisposição de Deus para com a humanidade e sua história".

"Com Jesus ao nosso lado, podemos avançar com segurança, podemos ser vencidos por provações, podemos progredir em amor a Deus e ao próximo. Jesus se fez um dom para os outros, tornando-se modelo de amor e serviço para cada um de nós", disse o Papa Francisco.

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