DR Congo está fazendo "muito mal": Carmelita Missionária da Caridade
DR Congo está fazendo "muito mal": Carmelita Missionária da Caridade
Aleteia || Por Miriam Diez Bosch || 11 de setembro de 2017
Sessenta paróquias profanadas e fechadas, 31 centros de saúde católicos pilhados, 141 escolas católicas arruinadas e fechadas, 3.698 casas privadas destruídas, 20 cidades completamente demolidas ...
A "balcanização" da República Democrática do Congo—é assim que os bispos do país definem o caos na região.
Os bispos denunciaram "o sequestro e assassinato de crianças, pessoas sendo raptadas, e assalto à mão armada, todos eles se tornaram comuns, e ataques contra paróquias e outras estruturas da Igreja Católica".
Para entender melhor a situação no terreno, contatamos a Carmelita Missionária da Caridade Maria-Núria Solà (nascida em Barcelona em 1943), cujo sonho quando era criança era "ir para as missões". Atualmente está localizada na cidade de Kinshasa, no Congo.
Perguntamos sobre a razão dos ataques contra católicos. "O problema não é a perseguição dos cristãos, como poderia acontecer em outros países da maioria islâmica", explicou à Aleteia.
A Igreja denuncia a situação da corrupção
No Congo, a maioria é realmente cristã. A Igreja Católica está sendo atacada porque "ela falou, escreveu e agiu contra a injustiça, a violência e a ditadura mascarada de democracia", acrescentou.
O país está passando por um impasse político devido ao fato de que, de acordo com a Constituição, o atual presidente, Joseph Kabila, não pode concorrer a outro mandato, e ele está atrasando as eleições.
A Conferência Episcopal havia se oferecido para negociar um acordo entre a oposição e o presidente, e um acordo foi assinado em 31 de dezembro de 2016 (Acordo Político de Saint-Sylvestre). "No entanto, nada foi resolvido, e de tempos em tempos há distúrbios causados pela oposição", lamenta o missionário.
Um problema é que alguns culpam a Igreja Católica: "Existem igrejas e seitas cristãs favorecidas pelo governo que enfraquecem as denúncias da Igreja Católica, e isso explica em certa medida os ataques que ocorreram em várias partes do país."
Vivemos em uma "paz inquieto; você nunca sabe o que vai acontecer amanhã", admite.
Os responsáveis pelos ataques são grupos que estão fora de controle, buscando criar insegurança para toda a população.
Segundo a Carmelita, "a Igreja Católica agiu com coragem. Continua a denunciar actos de injustiça, e não pode deixar de o fazer se quiser ser fiel ao Evangelho, pelo bem comum de toda a população. Nossas comunidades vivem em insegurança, como qualquer outro cidadão que se opõe à [violência] e luta por liberdade e justiça".
O CENCO, a Conferência Episcopal Nacional do Congo, emitiu uma declaração em 23 de junho, na qual também mencionou o "indestino" e a "preocupação" para a "deterioração constante da situação política".
Os bispos afirmaram que "a situação miserável em que vivemos hoje é consequência da persistente crise sociopolítica, devido principalmente às eleições que não estão sendo organizadas em conformidade com a Constituição do nosso país".
Os bispos disseram que "uma minoria dos cidadãos decidiram manter a vida de milhões de congoleses reféns", o que é "inaceitável".
O estado de pobreza na República Democrática do Congo deve-se ao flagelo das guerras contínuas, à exploração dos recursos naturais pelas grandes corporações e à extensa corrupção. Os jovens da região são explorados como soldados, e as jovens são sexualmente exploradas.
Os bispos declaram que "o país está indo muito mal", mas insistem que as pessoas "não devem ceder ao medo ou fatalismo".
Fonte: Aleteia...


