Papa Francisco apela à Comunidade Internacional para não esquecer o Sudão do Sul
Papa Francisco apela à Comunidade Internacional para não esquecer o Sudão do Sul
Rádio Vaticano || Pelo Padre Paul Samasumo, Vaticano || 15 de outubro de 2017
O Papa Francisco exortou a comunidade internacional a não esquecer o Sudão do Sul e, em particular, a grave emergência humanitária que aí se desenrola.
O Papa fez a chamada para o Sudão do Sul em um Prefácio que ele escreveu para um novo livro sobre o Sudão do Sul. O livro, publicado em italiano, é de autoria do missionário Comboni, padre Daniele Moschetti. Foi lançado durante o fim de semana, na Itália, Roma.
"Normalmente, os Missionários são os que devem contar (o mundo) sobre vidas vividas na periferia em nome dos pobres. Também este é o testemunho de padre Daniele Moschetti, missionário comboni, que oferece um relato convincente do compromisso generoso e apaixonado de tantos missionários que vivem lado a lado com os necessitados e, sobretudo, daqueles que sofrem por causa de conflitos contínuos que causam morte e destruição", escreveu o Papa Francisco no Prefácio.
O Papa Francisco implorou à comunidade internacional, e a todos os que crêem no Evangelho que não desistam do Sudão do Sul, porque fazê-lo seria trair a lição do Evangelho.
"Sinto a importância e necessidade de sensibilizar a comunidade internacional para um drama silencioso, que exige o compromisso de todos com uma solução que acabe com o conflito em curso. Afastar-se dos problemas da humanidade, especialmente num contexto como o que aflige o Sudão do Sul, seria "esquecer a lição do Evangelho sobre o amor ao próximo e à necessidade", destacou o Santo Padre.
O livro, "Sudão do Sul: O Caminho Longo e Doloroso para a Paz, a Justiça e a Dignidade", publicado em italiano como "Sud Sudan: Il lungo e sofferto cambino verso pass, giustizia e dignità" é uma coleção de experiências pessoais de Moschetti de uma terra em que viveu e à qual ainda está ligado. É parte diário; parte missionária crônica e comentário. O livro é um rico relato de informações que aborda um conflito muito complicado, evitando uma atitude paternalista ou sabe-tudo.
Moschetti fornece contexto muito necessário muitas vezes faltando no título de 140 caracteres twitter usual. Mais importante ainda, o livro é uma tentativa de romper, de forma pessoal, e chamar a atenção para uma emergência humanitária esquecida, mas real, que ocorre bem sob nosso olhar evitado. Moschetti está preocupado que, na mídia ocidental mainstream, migração e conflitos africanos são frequentemente retratados de forma distorcida ou simplista.
Pe. Moschetti, padre missionário italiano, estudou Teologia em Nairobi e trabalhou por 11 anos, como missionário, nas favelas quenianas de Kibera e Korogocho. Entre 2009 e 2016, Pe. Moschetti foi designado para o Sudão do Sul.
Durante o lançamento do livro de Moschetti, na Rádio Vaticano, outro missionário e renomado jornalista, Pe. Giulio Albanese, descreveu o Sudão do Sul como uma nação esquecida. Sua esperança é que um dia o Papa Francisco visite o Sudão do Sul e talvez ajude a concentrar a atenção do mundo neste país conturbado – assim como fez para a República Centro-Africana em 2015. Em um movimento sem precedentes, o Papa Francisco lançou o Ano Jubilar da Misericórdia em Bangui, República Centro-Africana, em novembro de 2015.
Apesar das probabilidades no Sudão do Sul, Pe. Albanese falou de uma sociedade civil que realmente existe está tentando fazer a diferença. Ele disse que os ativistas da sociedade civil precisam do apoio da comunidade internacional.
Presente no lançamento do livro estava o nacional etíope, Pe. Tesfaye Tadesse Gebresillasie, Superior Geral dos Missionários Combonianos.
Durante a quarta-feira Audiência papal de 11 de outubro, na Praça de São Pedro, Moschetti deu ao Papa Francisco uma cópia do seu livro. O Papa disse a Moschetti: "Eu realmente gostaria de ir para este país (Sudão do Sul). Gostaria de ir para lá assim que possível."
"Sud Sudan: Il lungo e sofferto cambino verso pass, giustizia e dignità," 250 pp., 14 Euro, é publicado pela Dissensi. Entretanto, o Padre Moschetti assumiu uma vaga de advogado em Nova Iorque e Washington.
Fonte: Rádio Vaticano


