Mega Corrupção, Política em Lugares de Adoração, Etnia Negativa, entre as principais preocupações dos Bispos no Quênia antes das eleições de 2017

Padre Dom Bosco Onyalla · 15 de novembro de 2016 · 15 minutos de leitura

Mega Corrupção, Política em Lugares de Adoração, Etnia Negativa, entre as principais preocupações dos Bispos no Quênia antes das eleições de 2017

CANAA || Pelo Padre Dom Bosco Onyella, Nairobi || 14 de novembro de 2016

kenyan bishops on state of nation in kakamega 2016O ressurgimento da mega corrupção em instituições governamentais, o uso de Igrejas e Igrejas funciona como plataformas de campanha política, e a tendência dos políticos a usarem fatores tribais e seccionais em sua licitação eleitoral estão entre as principais preocupações dos bispos católicos no Quênia antes das eleições gerais de 2017.

Os Bispos expressaram essas preocupações em uma declaração de imprensa na sexta-feira, 11 de novembro, durante seu encontro no Centro de Pastoral e Animação Dom Stam, na cidade ocidental do Quênia, em Kakamega.

A declaração de onze pontos dos Bispos, que foi amplamente divulgada na mídia local no Quênia, tem o título: "Pelo Amor do nosso país, trabalhe pela paz e pela unidade".

Descrevendo a corrupção no Quênia como uma "doença", os Bispos lamentaram que o "mal parece ser perpetrado sem vergonha ou medo".

Citaram as alegações de má gestão do Ministério da Saúde, expressando o receio de que a corrupção financeira possa estar ligada às eleições gerais.

"Nós ficamos imaginando o que está acontecendo exatamente. Isto acontece mesmo quando outros casos não foram tratados? Ou estamos sendo tratados à propaganda como uma ferramenta de campanha para 2017? É possível que todos se tenham tornado indefesos diante deste monstro crescente?", os Bispos pediram em sua coletiva declaração de imprensa e acrescentou, "Tolerando a corrupção e deixando aqueles considerados "intocáveis" livre para saquear o dinheiro dos contribuintes para o bem da conveniência política mostra fraca liderança na luta contra a corrupção."

Diante do desafio da política nos locais de culto, os líderes da Igreja advertiram o clero contra a promoção de candidatos políticos em Igrejas e púlpitos e políticos contra o uso de Igrejas e funções da Igreja para suas campanhas políticas.

"Por mais que políticos e aspirantes a posições eletivas sejam livres para adorar e orar onde quiserem, eles não devem usar tais oportunidades para fazer suas declarações de campanha."

Os Prelados desmentiram a etnia negativa, citando a tendência dos políticos de se envolverem em "realinhamentos políticos baseados em considerações tribais e seccionais" através da "mentalidade de ter "um dos nossos" em detrimento de outras comunidades".

"Queremos alertar, uma e outra vez, nossos políticos para evitar a linguagem inflamatória, e a tendência de colocar uma comunidade contra a outra", afirmaram os Bispos, condenando ainda mais o que parece ser uma luta perpétua entre os líderes eleitos nos condados, que se tornou física em alguns casos.

"Observamos com preocupação o ressurgimento da violência, das línguas conflitantes e dos discursos de ódio que podem nos mergulhar novamente, como país, na situação em que nos encontramos, no ano 2007-2008 que quase se deteriorou em um conflito civil", disseram os Bispos em seu comunicado de imprensa.

Abaixo está a declaração de imprensa completa dos Bispos católicos no Quênia

DECLARAÇÃO DE IMPRENSA: "Por amor ao nosso país, trabalhe pela paz e unidade"

1. INTRODUÇÃO

Nós, Bispos católicos do Quénia, reunidos no Centro de Pastoral e Animação Dom Stam, Kakamega, saudamos-vos queridos quenianos e todos os homens de boa vontade. Sentimos a necessidade de nos dirigirmos a vós sobre as questões que dizem respeito a todos nós, para uma Nação pacífica e amorosa de Deus. Consciente de que, no passado, os comunicados de imprensa que vos dirigimos sobre uma série de questões que nos afectam directamente, continuamos a sentir a obrigação de levantar a nossa voz e chamar a vossa atenção para aqueles que são de preocupação imediata. Gratos pelos esforços que foram feitos até agora e conscientes dos progressos alcançados em várias áreas, estamos, no entanto, plenamente conscientes da enorme tarefa ainda em curso e do apelo à responsabilidade individual, colectiva e empenhada por parte de cada queniano para que se unam e construam um Quénia pacífico. O Quênia é um país abençoado de tantas maneiras. Apesar dos desafios que o país enfrenta desde a independência, estamos gratos por termos chegado até aqui. É justo pensar de onde viemos e para onde vamos.

2. JORNAL PARA AS ELEIÇÕES PAZES

Uma área que sempre foi um desafio para nós, quenianos, é a das eleições gerais. Parece que o nosso pior comportamento como nação sai antes, durante e depois das eleições. Enquanto nos preparamos para as eleições gerais de 2017, notamos com preocupação o ressurgimento da violência, das línguas de confronto e dos discursos de ódio que podem nos mergulhar novamente, como um país, na situação em que estávamos, no ano 2007-2008 que quase se deteriorou em um conflito civil. Está agora claro que a febre eleitoral está a ganhar cada vez mais ímpeto e muitos estão a posicionar-se para serem eleitos. Isso significa que o país já foi colocado em clima de campanha em detrimento da prestação de serviços e desenvolvimento. Constatamos com preocupação que os líderes estão abandonando suas responsabilidades e indo de um canto para outro buscando garantir um lugar para as eleições de 2017. Os políticos estão se rasgando uns aos outros e fazendo declarações perigosas capazes de levantar tensões étnicas, confrontos e violenta rivalidade política. Acusações e contra-acusações estão sendo negociadas à custa da verdade. É evidente que políticos e aspirantes já estão estabelecidos para as eleições de 2017. Onde é que isto deixa o Quénia? Tornou-se agora um padrão que cada vez que nos aproximamos do ano eleitoral a violência irrompe em muitas partes do país. Já se perderam vidas no conflito entre os Pokots e os Marakwets. Há conflitos em curso entre as comunidades Kisii, Masai e Kipsigis. Recentemente, a violência foi relatada no Condado de Turkana após a eleição suplementar para a Assembleia do Condado (MCA)

Está agora claro que, se não forem tomadas medidas fortes, existe uma preocupação real de que o Governo possa não ser capaz de controlar a violência que pode irromper durante o período eleitoral. Caros quenianos, as eleições vêm e vão. Nunca devemos permitir-nos ser usados para a conveniência política cada período eleitoral, apenas para sermos deixados feridos, mutilados, sem esperança e divididos mais do que nunca. Quem se beneficia destes conflitos? Porque é que os oportunistas políticos devem sempre aproveitar-se de nós e usar-nos para destruir o nosso grande país? Devemos rejeitar persistentemente qualquer tentativa de nos levar de volta aos dias sombrios da violência relacionada com as eleições. Exortamos todos a estarem conscientes da obrigação de trabalhar para um processo pacífico de eleições. Esperamos que as instituições criadas para este fim sejam credíveis e garantam processos transparentes que conduzam a eleições livres e justas.

3. A LUTA PERPEITUAL ENTRE LEADERS ELEITOS

Registámos com preocupação as lutas internas entre os líderes eleitos em alguns dos nossos condados. É muito doloroso que esses líderes, obviamente por causa da ganância, estão continuamente impugnando uns aos outros, negociando acusações e contra acusações e até mesmo lutando fisicamente em detrimento do desenvolvimento e bem-estar dos cidadãos que os elegeram. Há municípios onde a prestação de serviços parou e todas as atividades paralisadas, mas esses líderes continuam ganhando seus salários gordos, premiando-se, seus parentes e amigos, contratos lucrativos, enquanto alguns estão saqueando os cofres do município. Todos aqueles que cometem crimes económicos não só devem ser trazidos à frente da lei, mas a sua riqueza mal-sucedida deve ser confiscada e devolvida para onde pertence. O tipo de liderança que estamos testemunhando não é mais sobre o serviço e o esforço para levar o desenvolvimento para os condados e o país, mas é tudo sobre qual posição tem mais dinheiro e poder para acessar os recursos para que será sua vez "de comer". Esses líderes eleitos estão prontos para proteger suas posições com todos os meios, incluindo a violência. Apelamos particularmente a todos os líderes políticos, aspirantes e apoiadores, funcionários públicos para que se concentrem no bem do nosso país e se comportem pacificamente, para que refreem os seus apoiadores de qualquer forma de violência e conflito. Pedimos a cada um de vocês que se esforcem para identificar candidatos honestos e credíveis, e para votar com base na credibilidade e integridade, em vez de esmolas e retórica política vazia. Exortamos estes líderes a parar com o incessante

4. REALIZAÇÕES POLÍTICAS

Realinhamentos políticos baseados em considerações tribais e seccionais não devem ser os critérios das campanhas eleitorais de 2017 nos condados e em nosso país. Devemos erradicar esta mentalidade de ter "um dos nossos" à custa de outras comunidades. Isso ameaçará a paz em áreas onde há muitas comunidades que vivem juntas.

5. ODEIA ESPÉCIE

Queremos alertar, uma e outra vez, os nossos políticos para evitarem a linguagem inflamatória e a tendência para colocar uma comunidade contra a outra. Há aqueles políticos conhecidos por proferirem o que equivale a odiar o discurso. Como o período eleitoral está ao virar da esquina deixe-os promover paz e harmonia entre todas as comunidades.

6. POLÍTICA EM LUGAR DA ADORAÇÃO

A Igreja é chamada a ser a consciência da sociedade. Por conseguinte, aqueles que trabalham na Igreja devem ser vistos como acima da política partidária. Eles não podem ser vistos a favor deste ou daquele campo político. Pedimos ao clero que não use a Igreja ou o púlpito para promover qualquer candidato político. É importante notar que a lei da Igreja proíbe os sacerdotes de se envolverem na política ou se apresentarem para eleições para posições políticas. A natureza de seu chamado faz deles sinais de unidade para as pessoas que vivem em sua jurisdição. Declaramos ainda em nossas declarações anteriores que, como bispos católicos, não vamos permitir que nossas Igrejas e funções da Igreja sejam usadas como plataformas de campanha e fórum de discurso de ódio. Tanto quanto os políticos e os aspirantes a posições eletivas são livres para adorar e orar onde quiserem, não devem usar tais oportunidades para fazer suas declarações de campanha. Por conseguinte, não se deve permitir que os políticos se dirijam às congregações em nossas casas de adoração. Que sejam respeitados.

7. RESURGÊNCIA DA CORRUPÇÃO MEGA

Nós, bispos católicos, em nosso comunicado de abril, abordamos a doença da corrupção no Quênia. É lamentável que este mal pareça ser perpetrado sem vergonha ou medo. Que agora há alegações de má gestão de fundos destinados aos serviços de saúde mais uma vez traz o país para outro baixo. Ficamos a pensar no que se passa exactamente. Isto acontece mesmo quando outros casos não foram tratados? Ou estamos sendo tratados à propaganda como uma ferramenta de campanha para 2017? É possível que todos se tenham tornado indefesos diante deste monstro em crescimento? Insistimos repetidas vezes em que aqueles que foram confiados para governar este país devem ser pessoas livres da corrupção, que odeiam a corrupção e estão dispostos a lutar contra a corrupção até ao fim. Ações sem coração não vai fazer; tolerar a corrupção e deixar aqueles considerados "intocáveis" livre para saquear o dinheiro dos contribuintes para o bem da conveniência política mostra liderança fraca na luta contra a corrupção. O momento de agir é agora se quisermos que este país seja um lugar de "plendade e prosperidade" como cantamos em nosso hino nacional. Não queremos ser contados entre a geração que perdeu o sonho que nossos ancestrais tiveram quando lutaram pela independência e prosperidade do Quênia. Nós, como líderes religiosos, estamos dispostos a facilitar um fórum para abordar as questões da corrupção com sobriedade, longe da retórica política. Procuramos raciocinar juntos para ver como podemos abordar estrategicamente este vício. Como ponto de partida, todos os implicados, com provas credíveis, devem afastar-se.

8. REVISÃO CURRÍCULO DA EDUCAÇÃO BASEADA EM VALOR

We wish to note with a lot of appreciation the positive measures that have been taken with regards to the credibility of our national examinations. The fact that KCPE started and proceeded without major incidences is a sign that it is possible to have untainted examinations in Kenya. As the KCSE exams are underway, signs are that some form of sanity and integrity is slowly being restored, and it is hoped that this process will go on to completion and be reflected in the results. As we commend the Cabinet Secretary for Education, the TSC and the Examinations Council, and indeed all who have been actively involved, we would note that if everybody was serious about fighting corruption and impunity, it would be possible to eradicate it once and for all. This kind of spirit should be extended to all other sectors and emulated by other ministries. The recognition that chaplaincies are very key aspects of formation of the youth in our educational institutions is a laudable move should be encouraged. We join and support such efforts to promote quality and formative education. We, however,would like to point out a danger that is looming in regard to the formation of our children in the schools. The ongoing curriculum review has to be value based which takes into account our religious and cherished African values. Our children ought to be given religious education right from the time they join school. These children need such a formation at an early age so as to grow to be respectful, God-fearing, hardworking, honest and orderly people. We, as a nation, are in a position to map out our own destiny and know our own sets of values that are good to our children without depending on outside people who don’t share our values and have their own agenda to propagate. We must reject outside interference from those who are bent to derail our young people from our God given values that are at the heart of our moral fabric. We therefore as bishops reject a curriculum which excludes religious education at all levels of education, and where sexuality is not within a context of good values.

9. TERRORISM

It is very painful to note the frequent loss of lives due to terrorists in those areas of our country that border Somalia. We deplore all attacks to Kenyans and other innocent persons. It depends on each of us, not to give space to those recruiting or radicalizing our youth. As we urge the government to do more, we appeal to all that terrorism does not solve anything. The intention of these evil people is clear – to create animosity between Christians and Muslims in this country. We should never succumb to this temptation for evil can only be overcome by good. What unites us as human beings is more than where we come from or the religion that we adhere to. Let us always work for what unites us as human beings.

10. SOUTH SUDAN

The situation of endless strife in South Sudan is worrying. There are many refugees entering Kakuma camp from South Sudan. We call upon the Kenyan Government to work with other nations for a lasting solution to the problems facing South Sudan. Kenya has to take her traditional role of brokering peace in South Sudan.

11. CONCLUSION

The well being and prosperity of our Country depends on all of us. This is the only Kenya we have and we must guard our liberties jealously so that those who come after us will find a country where there is peace and harmony. We should never allow few individuals to spoil the peace in Kenya and interfere with our inheritance. We have to learn to choose what is good and reject what is evil and all that is bedeviling our country as we strive to improve the lives of our people. Together we can build a country that is just and free from corruption, a country that is orderly and respects the rule of law and a country where the dignity of every person is respected and valued. We call upon all our Catholics and all people of good will to pray for Kenya so that we can have peace and build a one united nation. GOD BLESS KENYA

Assinado:

Date: 11º Novembro de 2016

Rt. Rev. Philip Anyolo, Chairman, Kenya Conference of Catholic Bishops (KCCB)

Bishop of Homabay Diocese

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