Como a Igreja pode ajudar a trazer a paz à África
Como a Igreja pode ajudar a trazer a paz à África
Agência Católica de Notícias (CNA) || 03 de agosto de 2016
Movimentos populares, comunidades locais e organizações baseadas na fé – especialmente a Igreja Católica – têm um papel importante a desempenhar na construção da paz e prevenção de conflitos na África, disse um representante da Santa Sé.
Dom Bernardito Auza, núncio apostólico que lidera a missão de observação permanente da Santa Sé às Nações Unidas, falou em 28 de julho para uma sessão aberta do Conselho de Segurança da ONU sobre a construção da paz na África.
Grupos baseados na fé e de base têm "conhecimento concreto das realidades locais" e interações imediatas com os locais, disse o arcebispo.
"Eles capacitam indivíduos e sociedades a nível local, identificam e alimentam novos líderes e reúnem comunidades para trabalharem juntos para o bem humano maior. Eles obtêm resultados que indivíduos e comunidades locais podem facilmente se relacionar e se identificar com."
Dom Auza disse que as contribuições diretas da Igreja Católica para a construção da paz e prevenção de conflitos vêm através de sua "presença capilar" em suas dezenas de milhares de instituições: seus hospitais, escolas e outros locais de formação.
As agências humanitárias e caritativas católicas ajudam a prestar assistência de emergência, promover diálogos de aldeias e ajudar a construir as capacidades das pequenas empresas.
"A Santa Sé supervisiona esta vasta rede de programas de rápido impacto, médio prazo e longo prazo para promover os melhores níveis de educação e saúde possíveis, e para garantir esforços contínuos para prevenir conflitos e construir a paz através do diálogo e desenvolvimento humano integral", disse o núncio.
Dom Auza disse que a Santa Sé vê que a paz sustentável precisa de pessoas que se reúnem em diálogo concreto para dar uma audiência justa e chegar a acordo sobre soluções.
Os esforços diplomáticos formais devem ser acompanhados de "diplomas informais" como o diálogo entre as tribos e a colaboração entre as religiões, acrescentou. Alguns países africanos têm sustentado a paz devido ao seu sucesso em combinar diplomacia formal com seus homólogos informais.
A prevenção de conflitos e a paz exigem perseverança, visão de longo prazo e compromisso realizados através de milhares de ações diárias, aconselhou o núncio. Líderes e cidadãos devem transcender interesses egoístas para o bem comum, rejeitar um espírito de vingança e seguir o caminho da cura e da reconciliação.
Dom Auza pediu mais trabalho no desarmamento e no combate ao comércio de armas em seus aspectos legais e ilegais.
"A proliferação de armas simplesmente agrava situações de conflito e resulta em um enorme custo humano e material, o que mina profundamente a busca pela paz", disse.
Só a promoção dos direitos humanos e da solidariedade mútua pode tornar eficaz a construção da paz, continuou o arcebispo.
Ele citou as palavras do Papa Francisco a uma favela no Rio de Janeiro: "Nenhuma quantidade de ‘construção da paz’ poderá durar, nem se alcançará harmonia e felicidade, em uma sociedade que ignora, empurra para as margens, ou exclui uma parte de si mesma; ela perde algo essencial. Nunca devemos permitir que a cultura descartada entre em nossos corações! Ninguém é descartável!"
Na opinião do Arcebispo Auza, os diferentes resultados dos esforços de construção da paz na África sugerem que não existe um único modelo bem sucedido.
"Alguns países ganharam paz e estabilidade e alcançaram um crescimento sustentado, enquanto outros continuam a se afundar na lama da pobreza extrema e instáveis se não instituições inexistentes", disse.
O arcebispo observou algumas táticas importantes na construção da paz: o rápido impacto da segurança alimentar e cuidados básicos de saúde imediatamente após um conflito; iniciativas de médio prazo como investimento na criação de emprego; e programas de longo prazo como a construção de instituições.
Fonte: Agência Católica de Notícias...
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