República Centro-Africana depois da visita do Papa Francisco
República Centro-Africana depois da visita do Papa Francisco
Rádio Vaticano || Padre Paul Samasumo || 08 Agosto 2016
"Acho que meu país (República Centro-Africana) já viu tudo. Passamos por situações difíceis e provadoras no passado, mas no meio de tudo isso, tivemos a grande alegria de acolher o Santo Padre, Papa Francisco entre os dias 29 e 30 de novembro do ano passado. Desde a sua visita, vivemos uma vida cheia de graça; uma vida de misericórdia nos sobreveio do céu de cima", Dom Dieudonné Nzapalainga, falando em francês, disse recentemente, numa entrevista, ao Serviço Inglês África da Rádio Vaticana.
Pedido para refletir sobre a vida na República Centro-Africana (CAR) hoje, o Arcebispo de Bangui atribui sucessos recentes ao Papa Francisco.
"Agora, no meu país, todos vos dirão a mesma coisa. Sejam muçulmanos, protestantes, católicos, todos! Dirão o mesmo: o Papa Francisco trouxe um novo fôlego de ar fresco ao nosso país e às nossas vidas individuais. Antes de ele vir, estávamos divididos em nossos pequenos campos, acorrentados aos nossos ódios; isolados e ocupados, medindo o castigo mais bárbaro contra aqueles que considerávamos nossos inimigos. Desde o momento em que o Papa Francisco pôs os pés na CAR, até hoje, posso dizer-vos realmente que há uma atmosfera diferente na nossa terra. Sim, ainda temos muitos desafios, mas aqueles de nós que lá vivemos sabem que as coisas agora são diferentes e melhores. Nada se compara a onde estávamos antes. Agora podemos falar uns com os outros apesar das nossas diferenças. As pessoas agora são capazes de se olhar nos olhos e até mesmo apertar as mãos. Vejo perdão e reconciliação todos os dias. As relações entre as comunidades melhoraram e continuam a melhorar", explicou Dom Nzapalainga.
E o futuro? Ele vê um dia em que a CAR será unida como um país democrático que pode proteger seus cidadãos de gangues armadas, militantes e bandidos?
"Perguntas-me sobre o futuro? Nós, o povo do CAR, somos os únicos a construir o futuro do nosso belo país. Somos um país que é abençoado com muitos recursos naturais e minerais como o próprio Santo Padre, Papa Francisco, lembrou-nos quando visitou. Antes de chegar o Papa Francisco, quem teria pensado, depois do que tínhamos passado que uma eleição presidencial pacífica poderia ter lugar na CAR? Mas conseguimos. Fizemos isso", ressaltou o Arcebispo de Bangui.
Faustin-Archange Touadera, o novo presidente da CAR, foi eleito pacificamente em fevereiro deste ano. No entanto, o governo de Touadera enfrenta enormes desafios. O novo governo está lutando para desarmar, desmobilizar e reintegrar os muitos militantes armados espalhados pela CAR.
O Arcebispo Nzapalainga admite que levará algum tempo para normalizar as coisas na CAR. Mas ele é confiante e otimista sobre o futuro.
"Ainda enfrentamos tantos desafios, mas isso pode ser feito. Depois das eleições presidenciais pacíficas, todos sabemos agora que tudo é possível. É nossa responsabilidade garantir que as coisas funcionem da forma que desejamos. A vinda do Papa Francisco permitiu-nos olhar para o futuro com esperança. Por isso, para sua primeira viagem internacional, o recém-eleito presidente (Faustin-Archange Touadera) sentiu-se obrigado a ir ao Vaticano para se encontrar e agradecer pessoalmente ao Papa Francisco por sua visita ao CAR", disse Dom Nzapalainga.
Dom Nzapalainga quer que seus compatriotas e mulheres também tenham uma visão mais ampla dos desafios da CAR.
"O Santo Padre nos pediu para colocar o amor uns pelos outros como uma prioridade entre nós. Não podemos dar - nos ao luxo de falhar em nosso esforço de construção da paz. Se Deus nos proíbe, não conseguimos fazê-lo; não só estaremos a falhar com o povo da CAR, mas também com a comunidade internacional. Seis países vizinhos rodeiam-nos. Já vimos que, quando a CAR é um país em colapso, o vírus da desestabilização não só nos afecta, mas também se espalha por toda a região. Devemos, portanto, estar atentos à nossa maior responsabilidade como povo", aconselhou Dom Nzapalainga.
Em Julho, na Cimeira da União Africana de Kigali, no Ruanda, o Presidente Faustin-Archange Touadéra e a CAR foram calorosamente re-admitidos na União Africana após uma ausência de três anos.
Fonte: Rádio Vaticano...


