Bispos em Serra Leoa Urgem agentes pastorais para promover a paz antes das eleições gerais de 2018
Bispos em Serra Leoa Urgem agentes pastorais para promover a paz antes das eleições gerais de 2018
CANAA || Pelo Padre Dom Bosco Onyella, Nairobi || 10 de julho de 2017
Os Bispos católicos da Serra Leoa apelaram a todos os agentes da missão evangelizadora da Igreja para promover ativamente um espírito de convivência pacífica enquanto o país se prepara para as eleições gerais marcadas para 7 de março de 2018.
O apelo está contido na carta pastoral dos Bispos enviada à CANAA na sexta-feira, 7 de julho, intitulada "Viagem para eleições pacíficas e credíveis".
"Solicitamos fortemente aos nossos sacerdotes, religiosos e fiéis leigos que promovam um espírito de unidade, reconciliação, tolerância e paz em seus sermões, homilias, conferências e compromissos pastorais", afirmam os Bispos em sua carta de 4 de junho de 2017.
"Nós, a Igreja Católica, assumimos o compromisso de defender, ensinar e pregar todos os princípios contidos nesta carta pastoral", disseram os Bispos e chamaram "sobre todos os Serra Leoanos, especialmente aqueles que estão em idade de votar, para rejeitar fortemente todos os atos de violência, provocações desnecessárias, várias formas de fraude que distorcem os resultados, bem como qualquer coisa que possa levar à desestabilização e desordem".
Eles também incentivaram todos os partidos políticos e seus apoiantes a aceitar o resultado das eleições, "se este último fosse declarado livre e justo pela autoridade competente."
Abaixo está o texto completo da carta pastoral dos Bispos antes das eleições parlamentares, locais e presidenciais programadas para o dia 7º Março de 2018.
REVISÃO PARA AS ELEIÇÕES PAZES E CRÉDIOS
Carta Pastoral sobre as Eleições em março de 2018
Introdução
Saudamos-vos em nome do Senhor Ressuscitado, e rezamos para que todos passemos da morte para a vida e que ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, nós também possamos viver uma nova vida (cf. Rm 6, 4).
Nós, Bispos católicos da Serra Leoa, mediante uma reflexão orante, emitimos esta carta pastoral em vista das Eleições parlamentares, locais e presidenciais programadas para o dia 7º Março de 2018.
Como vossos Bispos, temos a responsabilidade de conduzir as almas a pastos mais verdes. É nosso dever dialogar sobre o futuro do nosso país e sobre a Serra Leoa que queremos para todos. O Papa Paulo VI nos lembra que "compete às comunidades cristãs analisar com objetividade a situação que é própria do próprio país, lançar sobre ela a luz das palavras inalteráveis do Evangelho e extrair princípios de reflexão, normas de julgamento e diretrizes para a ação a partir dos ensinamentos sociais da Igreja". (Octogesima Adveniens no. 4).
Sentimentos de Gratidão
Expressamos a nossa sincera gratidão ao Presidente, Dr. Ernest Bai Koroma, por anunciar em tempo útil a data das eleições, o que dissipa todos os receios de que as eleições possam ser indevidamente adiadas ou mesmo adiadas. Trata-se, em nossa opinião, de um importante apoio à promoção da paz e da estabilidade e de um impulso à nossa jovem democracia.
Agradecemos também o apoio dado pela Comunidade Internacional a este país e ao seu povo, especialmente em momentos de extrema necessidade.
De uma forma especial, reconhecemos os tremendos esforços e sacrifícios dos Serra Leoanos, tanto em casa como no estrangeiro, para garantir que se realizem progressos na nossa nação que sofreu durante demasiado tempo. Nossa nação foi levada aos calcanhares em resultado da epidemia de ébola que tirou milhares de vidas valiosas. Nossa resiliência como povo e nação foi severamente testada. No entanto, foi naquele momento muito difícil que a nação se uniu para combater um inimigo comum. As palavras de São Paulo aos coríntios foram uma grande consolação durante o nosso desespero: "Estamos em dificuldades de todos os lados, mas nunca encurralados... fomos perseguidos, mas nunca abandonados; derrubados, mas nunca mortos" (2 Coríntios 4:8-9). Por isso, encorajamos todos aqueles que nos apoiaram durante esses momentos desafiadores a acompanharem-nos novamente para eleições livres, justas e credíveis.
O Ressuscitado Cristo Nossa Luz e Força
O Cristo ressuscitado permanece a nossa luz e guia-nos para uma vida nova e melhor; conduz-nos a um novo modo de ver, julgar e tomar decisões. Esta luz brilha na escuridão e a escuridão não a pode dominar. O Cristo ressuscitado chama-nos a morrer para o pecado e viver para Deus. Também vós deveis considerar-vos mortos para pecar e viver para Deus em Jesus Cristo (cf. Rm 6, 3-11).
Só podemos construir melhores famílias, comunidades e o nosso país quando Cristo nos conduz com a sua luz e quando Ele se torna a força propulsora das nossas decisões e acções. E por isso pedimos perdão pelas muitas vezes que permitimos que as nossas trevas superem a Luz que nos foi dada. A escuridão de nossos pecados – nosso orgulho, nosso egoísmo, nosso tribalismo, nepotismo, corrupção, ganância – tem tentado apagar a Luz em nós. Oramos para que a luz de Cristo que se levanta na glória possa dissipar as trevas de nossos corações e mentes.
Morto para o pecado e vivendo na novidade de Cristo
Estamos mortos para pecar quando nosso velho eu foi crucificado com Cristo. Morremos quando os Serra Leoanos conseguiram superar as suas diferenças e negociaram uma resolução pacífica para os dez anos de guerra civil. Tantas vidas inocentes foram perdidas. A terrível guerra resultou das muitas decisões erradas tomadas sem a orientação de Deus e o bem comum de nossos irmãos. "A guerra é geralmente uma procissão fúnebre de direitos humanos violados" ( Bispos católicos de Angola 1993). Ganância, corrupção, decadência moral, indiferença para com o bem comum tomaram conta de nós. E havia trevas por toda a terra. Para usar as palavras de nossos predecessores durante a guerra civil: "enquanto a guerra significa miséria e sofrimentos incalculáveis para milhares de pessoas, para outros parece ser "bom negócio" (Sierra Leone Bispos Mensagem Quaresma 1993).
O surto da Doença do Vírus Ebola (EVD) mostrou o melhor e pior em nós como nação. Por um lado, revelou de forma bastante chocante o estado pobre dos nossos serviços médicos. Por outro lado, médicos patrióticos e outros profissionais de saúde se esforçaram para preencher as lacunas, fazendo imensos sacrifícios e alguns pagaram o preço final com suas vidas para derrotar o vírus. A epidemia de Ébola é lembrada como um dos momentos mais sombrios da nossa história. As tragédias gémeas na nossa nação, a guerra civil e a epidemia de Ébola, uniram Serra Leoa de todas as esferas da vida para lutar com um propósito comum. Nossas diferenças étnicas, culturais e religiosas foram postas de lado para alcançar um bem maior. Tais atitudes desejáveis que manifestamos tão claramente em momentos críticos da nossa história devem ser novamente mostradas à medida que avançamos para as eleições nacionais em 2018 que definirão a próxima fase da história do nosso país.
Trabalhar para o bem comum
Apelamos a todos os Serra Leoanos para que trabalhem para o bem comum. Temos de assumir a responsabilidade pelo nosso próprio desenvolvimento e não esperar que outros o façam. Os nossos progressos têm de ser suportados pelos nossos ombros e depois outros seguir-nos-ão. Quando a adversidade nos afeta, todos sofremos. Ebola, guerra civil e conflito não tinha uma cor de partido. Todos os Serra Leoanos sofreram. O nosso compromisso pôs fim à guerra civil e à epidemia de Ébola; renovou a nossa democracia e a nossa paz e trouxe crescimento infra-estrutural. Precisamos desta mesma dedicação e empenho para enfrentar a pobreza, o analfabetismo, a insegurança alimentar e a corrupção. Coloquemos as comunidades no centro do desenvolvimento e então o nosso país experimentará uma verdadeira prosperidade que beneficia todos.
A atual paisagem política e econômica
We note with deep regret that the present political landscape does not promote unity among us. Politically we are divided into North-West and South-East. We have promoted a politics of regionalism. In 2007, we breathed a sigh of relief for the peaceful presidential and parliamentary elections and the emergence of the then opposition party, All Peoples Congress (APC) as the victor. Ten years on we have not attained the united and peaceful Sierra Leone we all dreamt of. Many citizens continue to stomach grievances and on many occasions peaceful demonstrators have been treated with heavy hands and some brutally killed. How fast our hopes and aspirations have diminished!
We are aware that significant gains were made in economic growth, especially between 2012 and 2014. Our nation was rated as one of the fastest growing economies in sub-Sahara Africa. But we were told that the twin shocks of Ebola and the fall in iron ore prizes worldwide led to austerity measures. But is it austerity only for a few; the poor, helpless and vulnerable?
Expressing Unity as a People and Freedom to Exercise Electoral Franchise
As a Church we should not afford to shy away from political participation but our involvement cannot be partisan. In no way can we as a Church champion the cause of any political party. Our cause is a noble one; namely to defend our country and its citizens from political manipulators and to educate all citizens to vote wisely and responsibly. Ours is therefore an advocacy role. We inform, instruct and educate our youth and indeed all citizens to stay away from violence and anything else that might cloud the election process.
We call our leaders to attention about the dangers of youth unemployment. We challenge them to make genuine efforts to stamp out corruption and put an end to impunity. We call on the political class and especially political parties to be responsible in shaping the political culture of our nation. Divisiveness, political bickering and infighting do not augur well for the consolidation of our young democracy. After many years of independence, our political parties should have, by now, institutionalized tolerance, ethnic diversity, respect for the rule of law and the rules of the game leading to trust and confidence by the general populace in the democratic process. We call on the Government to resist the temptation of political manipulation and to do everything possible to create a level playing ground for all political parties. No attempt should be made by anyone to change the will of the electorate. All Sierra Leoneans who have reached the required age have a right and a duty to register and vote. Do not turn your back to the political process.
Recommendations and Conclusion
In the light of the foregoing considerations:
1. We call on all Sierra Leoneans, especially those who are of voting age, to strongly reject all acts of violence, unnecessary provocations, various forms of fraud that distort results, as well as anything that can lead to destabilization and disorder.
2. We encourage all political parties and their supporters to accept the results or outcome of the elections, should the latter be declared free and fair by the competent authority.
3. We urge the Law Enforcement officers to safeguard honour and loyalty to this country and its institutions, the protection of lives and property, and to maintain political neutrality in the execution of their duties.
4. We persuade political parties and presidential candidates to respect the electoral process, to preserve peace, to uphold the interest of the Sierra Leonean people and to see themselves in this pluralistic election as competitors, not adversaries. In fact, Pope John Paul II said, “an authentic democracy, which respects pluralism, is one of the principal routes which the Church travels together with the people. Being engaged in the democratic struggle according to the Spirit of the Gospel is a sign of a Church which participates in the promotion of the rule of law everywhere in Africa” (Ecclesia in Africa no. 112).
5. We, the Catholic Church, make a commitment to uphold, teach and preach all the tenets contained in this pastoral letter. We strongly enjoin our priests, religious and lay faithful to promote a spirit of unity, reconciliation, tolerance and peace in their sermons, homilies, conferences and pastoral engagements.
In conclusion, we pray that Mary, the Queen of Peace, continue to intercede for us so that her Son may grant us the grace and the strength to follow the light and walk to newness of life in Christ.
Given in Freetown, on the fourth day of June in the Year of Our Lord Two Thousand and Seventeen; the Solemnity of Pentecost.
Bishop Charles A. M. Campbell, Catholic Diocese of Bo and President of Conference
Archbishop Edward T. Charles, Archdiocese of Freetown
Bishop Patrick D. Koroma, Diocese of Kenema
Bishop Henry Aruna (Auxiliary), Diocese of Kenema
Bishop Natale Paganelli, SX., Diocese of Makeni


