UMA VOZ PROFÉTICA DO SUL GLOBAL NA COP 30

Comunicações SCEAM · 1 de dezembro de 2025 · 2 minutos de leitura

UMA VOZ PROFÉTICA DO SUL GLOBAL NA COP 30

Editorial do Rev. Pe. Rafael Simbine Junior (SECAM News – novembro de 2025)

A COP30 no Brasil marcou um momento histórico para a governança climática global: pela primeira vez, a Igreja Católica do Sul Global sediou um evento de alto nível em uma Conferência Climática da ONU. Com a liderança unida do Cardeal Fridolin Ambongo (SECAM), do Cardeal Filipe Neri Ferrão (FABC) e do Cardeal Jaime Spengler (CELAM), a Igreja avançou como uma voz moral e profética chamando o mundo à urgente responsabilidade ecológica.

Central à mensagem da Igreja estava a convicção, enraizada em Laudato Si’, de que a destruição ecológica e a injustiça social são inseparáveis. A crise ambiental prejudica desproporcionalmente as comunidades vulneráveis em toda a África, Ásia, América Latina e Caribe, onde inundações catastróficas, secas prolongadas e deslocamentos ligados à exploração de recursos estão se tornando rotina. Com as temperaturas globais atingindo 1,55°C em 2024, os impactos climáticos agora ameaçam a segurança alimentar, o abastecimento de água e os meios de subsistência de milhões.

Os líderes da Igreja também advertiram contra "falsas soluções" que reproduzem padrões coloniais sob o disfarce de sustentabilidade, mercados de carbono que mercantilizam a natureza, mineração extrativa de minerais "verdes" e projetos renováveis de grande escala impostos sem o consentimento da comunidade. Eles criticaram a narrativa do capitalismo verde, insistindo que uma transição baseada no lucro não pode trazer justiça ecológica.

Em vez disso, a Igreja pediu uma mudança de paradigma fundamentada na conversão ecológica, abraçando simplicidade, solidariedade e respeito pela sabedoria indígena, como "Buen Vivir" ("Bom Viver"). Exortou as nações ricas a reconhecerem sua dívida ecológica, operacionalizando o Fundo de Perdas e Danos, cancelando ou reduzindo as dívidas dos países mais pobres e garantindo que o financiamento climático atinja diretamente as comunidades afetadas.

Os líderes da Igreja enfatizaram que a ação climática centrada na justiça deve incluir a participação de povos indígenas, mulheres, jovens e comunidades locais. Delinearam caminhos para uma transformação genuína: o fortalecimento de alianças baseadas na fé, a proteção de territórios, o avanço das energias renováveis lideradas pela comunidade e o reconhecimento da migração climática como uma questão de direitos humanos.

A presença da Igreja na COP30 sinaliza uma nova era de liderança moral. Através de iniciativas como o emergente Observatório Eclesiástico sobre a Justiça Climática, a Igreja do Sul Global compromete-se a apoiar a defesa do mundo para defender o nosso Lar Comum com coragem, justiça e esperança.

Padre Rafael Simbine Junior

Secretário-Geral do SCEAM

 

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