Igreja na Espanha Prepara-se para acolher migrantes, principalmente africanos subsaarianas, abandonados na Itália
Igreja na Espanha Prepara-se para acolher migrantes, principalmente africanos subsaarianas, abandonados na Itália
Agência de Notícias Católicas || 13 de junho de 2018
A Arquidiocese de Valência, Espanha, está preparando recursos para mais de 600 imigrantes a bordo de um barco de resgate que foi negado entrar em Itália esta semana.
O cardeal Antonio Cañizares, de Valência, disse que Deus está chamando o povo local para acolher os imigrantes.
"Não podemos deixar que essas pessoas que sofrem fiquem presas."
Em 11 de junho, o governo italiano recusou a entrada de 629 imigrantes a bordo do Aquarius, um navio de ajuda humanitária operado pela SOS Mediterranée e Médicos Sem Fronteiras, dois grupos que resgatam imigrantes em pequenos navios no mar Mediterrâneo.
Entre os passageiros estão 123 crianças e sete gestantes.
O governo espanhol ofereceu-se para receber os imigrantes – principalmente africanos subsaarianas – e está abrindo o porto de Valência para sua chegada.
Depois de ouvir esta notícia, o cardeal Cañizares lançou um escritório de coordenação para conectar os imigrantes com recursos da arquidiocese.
A rede inclui instituições de caridade, paróquias e escolas diocesanas, bem como grupos de ajuda que já estão envolvidos em ajudar imigrantes na cidade.
Em entrevista à rede TreceTv, o Cardeal Cañizares explicou que "em cooperação com a administração pública", eles disponibilizaram "edifícios, casas, pessoal para ajudar com tudo o que pode ser necessário".
"Estamos prontos, simplesmente, para que esses pobres que tiveram que deixar sua terra natal e passar por tantas calamidades no Mediterrâneo, que quando eles chegam a nós eles se sentem bem-vindos e tratados como pessoas, com todos os esforços feitos para ajudá-los", disse o cardeal.
Além de prover necessidades básicas, o Cardeal Cañizares disse que espera que os imigrantes encontrem "grande afeição e amor".
Segundo os meios de comunicação, os imigrantes serão submetidos a um exame médico depois de chegarem a Valência. As autoridades determinarão então se serão classificados como refugiados ou imigrantes ilegais sem o devido estatuto jurídico. A categorização como refugiado permite hospedar-se sem supervisão policial e um pequeno subsídio monetário.
De acordo com o Cardeal Cañizares, a Cruz Vermelha será responsável pela primeira fase do cuidado e, depois, o ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) e os serviços de Caritas e imigração da diocese assumirão o controle.
"Começando na próxima semana, vamos colaborar nos aspectos mais específicos de recebê-los, não apenas necessidades básicas, mas também constantes, como educação e acolhimento", disse.
A Igreja local também ajudará a oferecer serviços de saúde, como muitos dos imigrantes podem estar em má saúde dos seus países de origem ou do seu tempo no Mar Mediterrâneo.
"A Europa é muito privilegiada, pode compartilhar o que tem e pode compartilhar mais do que faz", disse o cardeal.
Observando as raízes cristãs da Europa, salientou que "não podemos esconder isso, sem incorrer na traição da própria Europa".


