Sinodalidade : Acompanhar a fase de implementação do Sínodo

SECAM Communications · March 21, 2025 · 7 min lire

A Secretaria Geral do Sínodo enviou a todos os Bispos e Eparcas, e através deles, a todo o “Santo Povo de Deus” a eles confiado, uma Carta sobre o processo de acompanhamento da fase de implementação do Sínodo “Por uma Igreja sinodal. Comunhão, participação, missão”.
Este processo de acompanhamento e avaliação da fase de implementação, que é coordenado pela Secretaria Geral do Sínodo, foi aprovado pelo Papa Francisco. O Santo Padre pediu a sua divulgação às Igrejas locais e aos agrupamentos de Igrejas.
Uma série de encontros significativos para avaliar o processo de implementação terminará em 2028 com uma Assembleia eclesial em Roma.

Carta sobre o processo de acompanhamento
da fase de implementação do Sínodo
(Vaticano, 15 de março de 2025)

Aos Patriarcas e Arcebispos Maiores das Igrejas Orientais Católicas
A todos os Bispos e Eparcas
Aos Presidentes das Conferências episcopais
Aos Presidentes das Reuniões Internacionais das Conferências episcopais

Beatitude, Eminência, Excelência Reverendíssima,
Caro Irmão em Cristo,

com espírito de comunhão e corresponsabilidade, eu vos escrevo e ao Povo santo de Deus a vós confiado, a propósito da fase de implementação do Sínodo «Por uma Igreja Sinodal. Comunhão, participação, missão». O Santo Padre faz votos de que esta fase, prevista pela Constituição Apostólica Episcopalis Communio (n. 7, art. 19-21), receba uma atenção particular, para que a sinodalidade seja cada vez mais compreendida e vivida como uma dimensão essencial da vida ordinária das Igrejas locais e de toda a Igreja.

No último dia 11 de março, o Santo Padre deu a aprovação final para o lançamento de um caminho de acompanhamento e avaliação da fase de implementação pela Secretaria Geral do Sínodo. Esse caminho envolverá as Dioceses e Eparquias, Conferências episcopais e Estruturas hierárquicas das Igrejas Orientais Católicas, bem como seus agrupamentos continentais, que também terão o cuidado de envolver institutos de vida consagrada, sociedades de vida apostólica, associações de leigos, movimentos eclesiais e novas comunidades presentes em seus territórios. O resultado final será a celebração de uma Assembleia Eclesial no Vaticano em outubro de 2028. Por enquanto, portanto, não estamos procedendo com a convocação de um novo Sínodo, optando, em vez disso, por um processo de consolidação do caminho já percorrido.

Já na Nota que acompanha o Documento final da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, o Santo Padre havia especificado que o mesmo «faz parte do Magistério ordinário do Sucessor de Pedro» e, como tal, requer que seja aceito. Posteriormente, ele explicou que o documento não é estritamente normativo, mas, ainda assim, compromete as Igrejas a fazerem escolhas coerentes. Em particular «as Igrejas locais e os agrupamentos de Igrejas são agora chamados a implementar, nos diversos contextos, as indicações autorizadas contidas no Documento, através dos processos de discernimento e de decisão previstos pelo direito e pelo próprio Documento».

À luz dessas indicações, portanto, a fase de implementação do Sínodo deve ser entendida não como uma mera “aplicação” de diretrizes vindas de cima, mas como um processo de “recepção” das orientações expressas pelo Documento final de maneira adequada às culturas locais e às necessidades das comunidades. Ao mesmo tempo, é necessário proceder em conjunto como Igreja inteira, harmonizando a aplicação nos diferentes contextos eclesiais. Essa é a razão do processo de acompanhamento e avaliação, que de forma alguma diminui a responsabilidade de cada Igreja.

De acordo com as indicações do Documento final, o objetivo é tornar concreta a perspectiva do intercâmbio de dons entre as Igrejas e na Igreja inteira (cf. nn. 120-121). Ao longo do caminho, todos poderão beneficiar-se da riqueza e da criatividade dos percursos realizados pelas Igrejas locais, colhendo os frutos em seus agrupamentos territoriais (Províncias, Conferências episcopais, Reuniões Internacionais de Conferências episcopais, etc.). O percurso será também uma oportunidade para avaliar conjuntamente as escolhas feitas em nível local e reconhecer os progressos realizados em termos de sinodalidade (cf. n. 9). Graças a tal percurso, o Santo Padre poderá escutar e confirmar as orientações consideradas válidas para a Igreja inteira (cf. nn. 12 e 131). Por fim, esse processo constitui o quadro no qual se situam as diversas iniciativas para a realização das orientações sinodais, em particular os resultados do trabalho dos Grupos de Estudo e as contribuições da Comissão de Direito Canônico.

É de fundamental importância garantir que a fase de implementação seja ocasião para envolver novamente as pessoas que contribuíram e para devolver os frutos da escuta de todas as Igrejas e do discernimento dos Pastores na Assembleia sinodal: dessa forma, o diálogo já iniciado na fase de escuta terá continuidade. O processo se valerá do trabalho das equipes sinodais compostas por presbíteros, diáconos, consagrados e consagradas, leigos e leigas, acompanhados pelo seu bispo: são instrumentos fundamentais para acompanhar em modo ordinário a vida sinodal das Igrejas locais. Por esse motivo, as equipes existentes devem ser aprimoradas e eventualmente renovadas, e as equipes suspensas devem ser reativadas e adequadamente integradas. Esse processo também oferecerá às dioceses que até agora investiram menos no caminho sinodal uma oportunidade de recuperar os passos ainda não dados e de formar suas próprias equipes sinodais. Convido-os a comunicar à Secretaria Geral do Sínodo a composição e as referências da equipe sinodal de sua Diocese ou Eparquia, utilizando o formulário que se encontra em anexo.

Nesse contexto, assume particular relevância a convocação do Jubileu das equipes sinodais e dos órgãos de participação, que será realizado de 24 a 26 de outubro de 2025. Trata-se de um encontro importante para reconhecer o valor desses organismos e das pessoas que neles prestam serviço, inscrevendo assim o compromisso com a construção de uma Igreja cada vez mais sinodal no horizonte da esperança que não decepciona que celebramos no Jubileu.

O Caminho que levará toda a Igreja à celebração da Assembleia Eclesial em outubro de 2028 será tracejado de modo a oferecer um tempo adequado e sustentável para começar a implementar as indicações do Sínodo e, em seguida, prever alguns encontros significativos de avaliação:

  • março de 2025: anúncio do processo de acompanhamento e avaliação;
  • maio de 2025: publicação do Documento de apoio para a fase de implementação com orientações para sua implementação;
  • junho de 2025 – dezembro de 2026: percursos de implementação nas Igrejas locais e em seus agrupamentos;
  • 24-26 de outubro de 2025: Jubileu das equipes sinodais e dos órgãos de participação;
  • primeiro semestre de 2027: Assembleias de avaliação nas Dioceses e Eparquias;
  • segundo semestre de 2027: Assembleias de avaliação nas Conferências episcopais nacionais e internacionais, nas Estruturas hierárquicas orientais e em outros agrupamentos de Igrejas;
  • primeiro semestre de 2028: Assembléias continentais de avaliação;
  • junho de 2028: publicação do Instrumentum laboris para o trabalho da Assembleia eclesial de outubro de 2028;
  • outubro de 2028: celebração da Assembleia eclesial no Vaticano.

Desde já, a Secretaria Geral do Sínodo está empenhada em acompanhar e apoiar as Igrejas neste caminho.

Beatitude, Eminência, Excelência,
Até o final de maio, então, enviaremos às Igrejas outras comunicações com mais detalhes sobre a metodologia e as modalidades operacionais do percurso.
Sem o impulso dos Bispos diocesanos e eparquiais, um processo como o delineado aqui não seria sequer imaginável. A partir de agora, portanto, gostaria de lhe agradecer, bem como aos seus colaboradores e à sua equipe sinodal, pelo compromisso de levar adiante um processo que está particularmente próximo do coração do Santo Padre, por cuja saúde estamos todos rezando juntos nestas semanas.
Saúdo-o fraternalmente no Senhor, desejando a V. Sa. e à Igreja da qual é Pastor um caminho fecundo rumo à próxima Páscoa.

Card. Mario Grech
Secretário Geral da Secretaria Geral do Sínodo

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