CELEBRAÇÃO ANUAL DO DIA DO SCEAM 2020 (29 DE JULHO E 2 DE AGOSTO DE 2020)

CELEBRAÇÃO ANUAL DO DIA DO SCEAM 2020  (29 DE JULHO E 2 DE AGOSTO DE 2020)

  MENSAGEM DO PRESIDENTE DO SCEAM

Introdução

O Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar, conhecido pela sigla SCEAM, foi fundado pelos Bispos Africanos a 29 de Julho de 1969 e formalmente lançado pelo Papa São Paulo VI a 31 de Julho de 1969 na Catedral de Rubaga, Kampala, Uganda. Para manter vivo este evento histórico e memorável, o dia 29 de Julho de cada ano é comemorado como o Dia do SCEAM. O dia é reservado para que todos os membros da Igreja-Família de Deus em África e nas Ilhas circundantes agradeçam a Deus pelo dom da Mãe África, pelo dom de uns aos outros e pelo dom da Fé Cristã. É também uma oportunidade para rezar pelo bem-estar do SCEAM, pelo espírito de unidade, comunhão e solidariedade entre os Bispos, o Clero, os Religiosos e os Fiéis Leigos.

De acordo com a decisão tomada na Assembleia Plenária do SCEAM em Kinshasa, República Democrática do Congo (RDC) em Julho de 2013, o Dia é mais uma ocasião para falar sobre o Simpósio para permitir aos Católicos de todo o Continente e das Ilhas tornarem-se mais informados sobre a sua existência, trabalho e missão; convidá-los a identificarem-se com o SCEAM e a prestarem apoio ao mesmo. Para o efeito, a celebração do Dia do SCEAM é transferida para o domingo mais próximo, quando o dia 29 de Julho coincide com um dia do meio da semana, e é feita uma colecta especial para apoiar as actividades do Simpósio. Portanto, o Dia do SCEAM este ano será celebrado a 2 de Agosto de 2020.

Um ano após a Celebração do Jubileu de Ouro do SCEAM

 Este 2020 marca um ano desde a impressionante celebração do Jubileu de Ouro do SCEAM em Kampala, Uganda, a terra dos heróicos Mártires Africanos. O ano jubilar (2019) da nossa Associação coincidiu com o Jubileu de Prata da Primeira Assembleia Especial para África do Sínodo dos Bispos, realizada em 1994, durante a qual os Padres Sinodais Africanos escolheram não só definir a Igreja como Família de Deus mas também ser um princípio orientador para a Evangelização do Continente (Ecclesia in Africa no. 63).

Durante o estudo, bem como nas sessões plenárias em Kampala no ano passado, nós, membros do SCEAM, reflectimos sobre até onde tínhamos chegado com a nossa missão evangelizadora, para onde qureremos chegar e como tornar o futuro ainda melhor. Também lamentamos a difícil situação da maioria do nosso povo. E desafiados pelo exemplo dos Mártires de Uganda, em particular, e de outros Santos e Mártires Africanos, em geral, todos nós decidimos, entre outros aspectos:

  1. Fazer do Jubileu de Ouro um trampolim para uma Evangelização mais profunda no Continente e nas suas Ilhas; procurando no processo o encontro pessoal com Jesus Cristo que leva à verdadeira conversão e testemunho de vida, permitindo-nos não só manter firmes a nossa fé, doutrina e identidade católica, mas também manifestar concretamente o espírito de Igreja-Família de Deus, solidariedade, confiança, aceitação, diálogo, etc., em toda a África e Madagáscar;
  2. Intensificar o nosso compromisso com a visão dos Pais Fundadores do SCEAM centrada na promoção da solidariedade e comunhão pastoral orgânica entre os membros do SCEAM, que mais uma vez ilustra a imagem da Igreja como Família de Deus, onde todos são tratados como verdadeiros irmãos e a sua dignidade como filhos de Deus é defendida;
  3. Reforçar a nossa obrigação para com a SCEAM (cf., Ecclesia in Africa 104);
  4. Ser mais pró-activos na nossa missão profética.

A celebração do Jubileu de Ouro, evidentemente, suscitou esperanças de que o SCEAM desempenharia mais visivelmente o seu papel e exerceria uma influência positiva em áreas que tocam a vida quotidiana do povo, tanto dentro como fora de África. De facto, exercer um impacto positivo é um dos principais focos da actual liderança do SCEAM.

Infelizmente, um ano após o Jubileu de Ouro, a situação em África e nas Ilhas circundantes permaneceu a mesma, dentro e fora da Igreja. Esta situação é, de facto, agravada pela pandemia do coronavirus que causou estragos em todo o lado. Até agora, a Covid-19 já matou muita gente em todo o mundo, incluindo os africanos. Tem afectado tanto o Clero, como os Religiosos e os Fiéis Leigos.

Foram adoptadas diferentes medidas para conter a propagação da doença, e também temos rezado pelo fim da pandemia, mas novos casos continuam a disparar em muitos países africanos como noutros. Além disso, um relatório recente da Cáritas Internacional indica que a África é a mais afectada de todos os Continentes em termos de efeitos da Covid-19. Há casos de escassez de alimentos, devido aos bloqueios. “Milhares de pessoas perderam empregos, pequenas empresas foram destruídas. A diversidade de catástrofes pré-existentes, tais como inundações, seca, invasão de gafanhotos, fracas colheitas, são reais e constituem um sério desafio”.[1]

Esta situação deu origem a várias questões e agitações. Para aqueles que estão sob o domínio da angústia e da miséria, é fácil concluir que Deus nos abandonou e que a pandemia é um castigo pelos nossos pecados, individuais e comunitários. Mas, como já dissemos na nossa Mensagem de Pentecostes: “Se, sentimos dor ou se sofremos, [Deus] participa nela a fim de a superar”. Santo Agostinho disse há muito tempo: “Sendo sumamente bom, Deus não permitiria qualquer mal nas suas obras; Ele até é capaz de fazer sair o bem do mal” (Enchiridion 11, 3; PL 40, 236)[2] , razão pela qual Ele permitiu que o seu Filho amado morresse na Cruz como um criminoso. E a morte do Filho mudou o significado de todo o tipo de sofrimento e dor, física e moral; não só daqueles que têm fé, mas de cada pessoa humana.[3]

No meio da situação actual, dizemos ‘coragem’ irmãos; não cedam ao desespero; continuem a rezar e esperem pelo tempo de Deus. Tal como a visão do Senhor em Habacuque, “se vier devagar, esperem, pois virá, sem falta” (Hab 2,3). Estejam certos da nossa proximidade contínua convosco e das nossas orações diárias por vós, especialmente por aqueles de vós que estão doentes ou que enfrentam diferentes desafios na sua vida quotidiana.

COVID-19 expôs quão vulneráveis somos, independentemente da cor ou do estatuto social, e o que acontece num país afecta as pessoas no outro. De facto, demonstrou que somos um só povo e que precisamos de ser “guardiães uns dos outros”. Como mencionado na Mensagem de Pentecostes, este é um momento para todos os povos africanos reactivarem o valor da solidariedade que moldou a nossa visão do mundo e da sociedade tradicional. É assim que estaremos em melhor posição para “enfrentar o impacto da pandemia e dar a volta às nossas economias, confiando simultaneamente no poder do Espírito Santo, que nos dá a graça de amar e ser compassivos”. Neste tempo em que muitos estão em extrema necessidade, ajudemo-los a experimentar o amor de Deus”.

É vergonhoso e lamentável que nem mesmo o mortífero Covid-19 tenha dissuadido a violência e o terrorismo em alguns países de África; continuamos a matar-nos diariamente. Juntamos a nossa voz ao Santo Padre, o Papa Francisco e outros líderes mundiais para apelar ao fim imediato da violência em toda a África e noutras partes do mundo.

Apreciação

Tivemos certamente momentos de tristeza, mas também houve momentos de alegria no último ano. Por isso agradecemos a Deus pelas suas bênçãos e magnanimidade. Estamos também profundamente gratos aos nossos Bispos, Clero, Religiosos e Leigos membros da Igreja-Família de Deus em toda a África e Ilhas, pelo seu empenho na Evangelização, apesar dos actuais desafios.

Apreciamos os esforços que têm sido feitos pelos respectivos governos para conter a propagação viciosa do coronavirus no Continente e encorajamos os líderes a continuarem a proteger a saúde da população. Agradecemos igualmente a todos os profissionais de saúde, incluindo as Freiras Religiosas que demonstraram uma dedicação extraordinária para aliviar o sofrimento dos doentes.

Agradecemos a todos os que, dentro e fora de África e Madagáscar caminharam e apoiaram SCEAM no ano passado. Estamos igualmente gratos a todos os envolvidos nos assuntos imediatos do SCEAM (Presidência, Tesoureiro, membros do Conselho Permanente, membros do Comitheol e pessoal de Secretariado) pela sua dedicação, trabalho árduo e sacrifícios pelo SCEAM.

A todos os Africanos e Malgaxes dizemos que o vosso generoso apoio alarga a missão do SCEAM, aumenta o seu alcance, e ajuda-nos a servir melhor a Igreja e a Sociedade.

O dia do SCEAM é um evento importante para a Igreja-Família de Deus em África e Madagáscar. Pedimos-vos encarecidamente para rezarem pelo SCEAM na quarta-feira 29 de Julho e 2 de Agosto de 2020. Na sequência dos desafios colocados pela pandemia do coronavírus neste momento, optamos por adiar a colecta especial do SCEAM para este ano. Mas se alguém ou grupo de pessoas for movido pelo Espírito Santo para apoiar o SCEAM financeira ou materialmente, é bem-vindo e livre de  fazê-lo.

Que a Virgem Maria, Rainha de África, assegure a protecção materna dos seus filhos!

 

Philippe Cardinal OUÉDRAOGO

Presidente do SCEAM

 

[1] Paul Samasumo, https://www.vaticannews.va/en, 22nd May 2020.

[2]  Cf. Fr. Raniero Cantalamessa, Homily during the Celebration of the Passion of the Lord St. Peter’s Basilica Friday 10th April 2020, https://www.vaticannews.va/en

[3] Fr. Raniero Cantalamessa, Homily during the Celebration of the Passion of the Lord.

 

MENSAGEM DO PRESIDENTE DO SCEAM

President SECAM Day 2020 Ptg

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