17ª ASSEMBLEIA PLENÁRIA DO SIMPÓSIO DAS CONFERÊNCIAS EPISCOPAIS DE ÁFRICA E MADAGÁSCAR

MENSAGEM AO POVO DE DEUS E AOS HOMENS E MULHERES DE BOA VONTADE

Introdução
Nós, Bispos Católicos do Simpósio das Conferências Episcopais de África e de Madagáscar (SCEAM), reunidos, em Luanda, Angola, do dia 18 a 25 de Julho de 2016, para a nossa 17ª Assembleia  Plenária do referido Simpósio, sob o tema “A Família em África ontem, hoje e amanhã, à luz do Evangelho”, damos graças a Deus Nosso Pai,  por Jesus Cristo, Nosso Senhor e no Espírito Santo  pelas bênçãos que não cessa de conceder a toda a população do nosso continente. Ao chegarmos ao fim dos nossos trabalhos, endereçamos à Igreja-Família de Deus em África e Madagáscar, assim como a todos os homens e mulheres de boa vontade, uma Mensagem de solidariedade e de esperança sobre o futuro das nossas famílias e sociedades.

Agradecemos ao Santo Padre, o Papa Francisco, pelos dois Sínodos sobre a família, pela sua visita pastoral ao Kénia, Uganda e República Centro Africana e pela sua solicitude de Pastor a favor das famílias em África. Expressamos também a nossa fraternal e sincera gratidão à Igreja-Família de Deus que está em Angola, assim como ao Governo e ao povo deste lindo país, terra de hospitalidade e de uma tradição cristã multissecular, pelo acolhimento generoso e apoio recebidos na realização desta Assembleia Plenária. Temos em conta os diferentes gestos de simpatia e a importância concedida a este evento. Nenhum esforço foi poupado para assegurar a realização desta Assembleia em óptimas condições logísticas, materiais e espirituais.

A lembrança da visita do Papa Bento XVI, em Março de 2009, no contexto da comemoração dos quinhentos anos de evangelização de Angola, permanece viva na memória do nosso continente. A realização da nossa 17ª Assembleia Plenária, em Luanda, exprime a nossa profunda comunhão com este povo. Saudamos, igualmente, todo o povo africano e temos presente na nossa oração todas as nações que atravessam momentos difíceis, particularmente o Sudão, a Somália, o Lesoto, o Burundi, a Nigéria, o Mali, os Camarões, a República Centro Africana, o Chade, o Egipto e a Líbia. Não esquecemos também os sofrimentos dos refugiados, de um modo especial, as mulheres e as crianças, que são as principais vítimas deste drama. Exortamos os partidos políticos em conflito a buscarem a paz através de um diálogo inclusivo e construtivo.

Exprimimos os nossos agradecimentos aos delegados das Conferências Episcopais das Igrejas-irmãs da Ásia e da Europa, assim como aos representantes dos organismos católicos, pela sua presença nesta Plenária. Ela testemunha a sua solidariedade e  generosidade  no apoio à  nossa missão.

Importância da Família, beleza do matrimónio   
Na continuação dos dois Sínodos da Igreja Universal sobre a família e a Exortação Apostólica pós-sinodal, do Papa Francisco, Amoris Laetitia, centrámos a nossa reflexão sobre as perspectivas pastorais concretas, que são indicadas pelos Padres sinodais e o Santo Padre. Lembrámos a importância da família, que constitui verdadeiramente a Igreja doméstica e o fundamento sobre o qual se edifica qualquer sociedade. Segundo o Papa Francisco, “a saúde de toda a sociedade depende da saúde da família”. (Homilia do Papa Francisco no Campus da Universidade de Nairobi (Kénia), quinta-feira, aos 24 de Novembro de 2015). É na família que a pessoa humana nasce e se realiza. Nela recebe a sua primeira educação e adquire os valores para a sua integração e realização na sociedade e na Igreja. Os dois Sínodos convidam a proteger e a defender a Família “de modo que ela seja capaz de devolver à sociedade o serviço que esta espera dela, isto é, preparar-lhe homens e mulheres capazes de construir um mundo de paz e de harmonia” (SCEAM, O futuro da Família, nossa Missão, 74).

O matrimónio e a família estão intimamente ligados. Reafirmamos a doutrina da Igreja, baseada na Palavra de Deus: “Por isso, o homem deixa pai e mãe para se unir à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (Gn, 2, 24). O matrimónio une um homem e uma mulher. O Senhor refere-se a esta verdade sobre o matrimónio que, nos desígnios de Deus, exclui o divórcio. Em Jesus Cristo, o matrimónio adquire a sua verdadeira dimensão. Vínculo irrevogável de amor entre um homem e uma mulher, aberto à vida e à procriação, como garantia do renovamento da sociedade e da Igreja, o matrimónio não pode, portanto, ser realizado entre pessoas do mesmo sexo.

Desafios pastorais
7.     A nossa solicitude pela saúde da família em África leva-nos a apontar vários desafios, que nos parecem urgentes: as condições de precariedade e a pobreza, a exclusão social, o impacto das novas tecnologias de informação sobre as famílias, a ideologia do género, a família monoparental, os casais divorciados e recasados, a contracepção, a esterilização, o aborto, a poligamia, os amigados, os problemas ligados ao dote, a viuvez, as migrações causadas por situações de guerra e de conflito, as divisões nas famílias, a crença no feitiço e na bruxaria, as ausências devidas a estudos e emprego, etc.
8.     Estes diferentes desafios desorientam a vida dos casais e das famílias caso não se implemente uma pastoral eficiente. Como Pastores, afirmamos o nosso empenho em renovarmos e reforçarmos a nossa pastoral a favor das famílias. É nossa convicção e fé que a família não pode ser sufocada pelas crises e as situações que atravessa. No anúncio do Evangelho da família, somos chamados a ser testemunhas da esperança.

A alegria de amar
9.     Com o Papa, reafirmamos a beleza do matrimónio. Ele não é um jugo, mas uma comunidade de amor, de alegria e de realização: “A beleza do dom recíproco e gratuito, a alegria pela vida que nasce e a amorosa solicitude de todos os seus membros, desde os pequeninos aos idosos, são apenas alguns dos frutos que tornam única e insubstituível a resposta à vocação da família” (Papa Francisco, Amoris Laetitia, 88). Recordamos que a pessoa humana é, fundamentalmente, chamada ao amor. Como ensina o papa São João Paulo II: “ Deus que criou o homem à sua imagem e à sua semelhança (Gn 1, 26-27), chamando-o à existência por amor, chamou-o, ao mesmo tempo, ao amor” (Cf. João-Paulo II, Familiaris Consortio, 11). É na família que se realiza, de maneira privilegiada, esta vocação e missão.
10. Felicitamos e encorajamos as famílias que testemunham a sua alegria de amar e a sua fidelidade matrimonial. Somos solidários com as famílias que vivem momentos difíceis e aquelas que têm feridas profundas. Rezamos por elas e encorajamo-las a não se deixarem levar pelo desânimo e pelo desespero.

A família “santuário da vida” e “laboratório de humanização”
11. Numa vida familiar sã, faz-se a experiência de certos aspectos fundamentais para a vivência da paz: “a justiça e o amor entre irmãos e irmãs, a função de autoridade manifestada pelos pais, o serviço afectuoso aos membros mais frágeis (…), a ajuda mútua perante as necessidades da vida, a disponibilidade para acolher o outro e, caso seja necessário, perdoá-lo” (Papa Bento XVI, Africae Munus, 43).
12. Convidamos as famílias cristãs africanas, Igrejas domésticas, a ser sempre lares de amadurecimento humano e espiritual. Elas serão, deste modo, comunidades de vida, de oração, de amor e artífices na transformação da nossa sociedade. De igual modo, responderão plenamente à sua vocação de educadoras para despertar uma consciência missionária em todos os seus membros.
13. Encorajamos as associações e os movimentos de pastoral familiar a empenharem-se no trabalho de preparação e de acompanhamento dos casais. Exortamo-los a promover sempre os valores do matrimónio e da família cristã, particularmente ao pé dos jovens.
14. De igual modo, saudamos os esforços dos Estados membros da União Africana pelo interesse pelos problemas da família. Exortamo-los a resistir perante todas as pressões dos governos e organizações que querem impôr ao continente africano políticas anti- família. Felicitamos os governos que, em nome dos valores morais e da nossa cultura, têm a coragem de opor-se a estas políticas (Cf. SCEAM, O Futuro da família, nossa Missão, 146).
15. Apoiamos as iniciativas dos governantes, nos nossos diversos Estados, a favor da promoção da família. Convidamo-los a promover políticas que respeitem os valores culturais africanos da justiça, dosdireitos fundamentais da pessoa e das famílias, incluindo o respeito pelo bem comum e a melhoria das condições de vida das populações mais desfavorecidas. Incentivamo-los também a “criar condições legislativas e de emprego que garantam o futuro dos jovens e os ajudem na realizaçãodo seu projecto de constituir uma família” (SCEAM, O Futuro da família, nossa Missão, 14).

Conclusão
16. O futuro da família está no centro da nossa missão, pois épara nós o berço da vida, do crescimento e da sua realização. Ela é um dom do amor misericordioso de Deus e garante o futuro das nossas sociedades, se nos empenharmos em protegê-la e defendê-la de tudo quanto ameaça a sua integridade.
17. Famílias cristãs africanas, não tenhais medo de colocar Jesus Cristo no centro da vossa vida e n’Ele colocar a vossa confiança. Povos de África, a nossa missão ao serviço da família é nobre. Empenhemo-nos na promoção da família. Ela viverá e nós viveremos!

18. Sagrada Família de Nazaré, Jesus, Maria e José!
Sustenta o compromisso das famílias!
Que elas triunfem do egoísmo, das divisões e das violências!
Que sejam lares de reconciliação, de justiça e de paz!
Que nelas brilhe a alegria do amor!
Amem!
Luanda, aos 24 de Julho de 2016,
Pela Assembleia Plenária do SCEAM
+ Gabriel MBILINGUI

Arcebispo de Lubango
Presidente do SCEAM

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